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Notícias

8 de julho de 2026

El Niño reforça a importância do planejamento da dessecação para a implantação do milho

Com a previsão de um período marcado por chuvas acima da média no Rio Grande do Sul em função da atuação do fenômeno El Niño, o planejamento da dessecação passa a ser ainda mais importante para garantir uma implantação eficiente das lavouras de milho.

Segundo o coordenador técnico da Cotrisoja, Jonathan Carlos Hübner, o excesso de umidade e dias nublados, favorece novos fluxos de emergência de plantas daninhas, exigindo que o produtor antecipe o manejo e acompanhe constantemente a evolução das áreas antes da semeadura. "Em anos com maior volume de chuvas, as plantas daninhas encontram condições favoráveis para germinação e desenvolvimento. Isso exige um planejamento mais criterioso da dessecação, para que a cultura do milho seja implantada em uma área limpa e com menor competição desde o início", explica.

De acordo com as projeções agrometeorológicas para o Estado, o trimestre apresenta elevada probabilidade de ocorrência de El Niño de forte intensidade, cenário que pode resultar em precipitações acima da média e maior frequência de eventos de chuva durante o período de implantação das culturas de verão. Nesse contexto, Jonathan destaca que o produtor deve evitar realizar a dessecação apenas na véspera da semeadura. O ideal é que a operação seja planejada com antecedência, respeitando o intervalo recomendado para cada herbicida, permitindo a completa dessecação da cobertura vegetal e reduzindo riscos de interferência na emergência do milho.

Outro ponto de atenção é que as chuvas frequentes podem provocar sucessivas emergências de plantas daninhas após a primeira aplicação. Em áreas com histórico de alta infestação, deve ser necessária a adoção de herbicidas pré-emergentes, sempre com recomendação técnica, para manter a lavoura protegida durante o período inicial de desenvolvimento. "O monitoramento da área passa a ser ainda mais importante. Cada chuva pode estimular novos fluxos de germinação, tornando indispensável a avaliação técnica para definir o momento correto das aplicações e a estratégia mais eficiente de controle", ressalta Jonathan.

Para que a dessecação seja eficiente, o primeiro passo é identificar corretamente as espécies de plantas daninhas presentes na área. A partir desse diagnóstico, é possível definir a estratégia mais adequada, combinando mecanismos de ação e respeitando o momento ideal de aplicação. "Plantas jovens são mais sensíveis aos herbicidas. Quando o manejo é realizado de forma antecipada, aumentamos a eficiência do controle e reduzimos a necessidade de intervenções posteriores durante o desenvolvimento da cultura", destaca.

Entre os princípios ativos mais utilizados na dessecação pré-semeadura estão herbicidas sistêmicos, como o glifosato, associados a graminicidas, como o cletodim, para ampliar o controle de espécies de folhas estreitas. Em situações de alta infestação ou presença de plantas de difícil controle, também devem ser empregados herbicidas de contato, como o glufosinato de amônio ou diquat, sempre respeitando as recomendações de bula, o intervalo de segurança antes da semeadura e a orientação de um engenheiro agrônomo.

Outra ferramenta importante é o uso de herbicidas pré-emergentes com efeito residual, especialmente em áreas com histórico de alta infestação. Esses produtos ajudam a manter a área protegida nas primeiras semanas após a semeadura, período em que o milho é mais sensível à competição por água, luz e nutrientes.

Para Hübner, iniciar a lavoura com uma dessecação eficiente representa um dos primeiros passos para buscar altos tetos produtivos. "Cada safra apresenta seus desafios, e neste ano o clima merece atenção especial. Planejar a dessecação, escolher corretamente os produtos e realizar o manejo no momento certo faz toda a diferença para que o milho tenha um estabelecimento uniforme e expresse seu potencial produtivo” encerra.

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