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Notícias

8 de julho de 2026

Como o fenômeno ENOS impacta a produtividade agrícola no Rio Grande do Sul

As previsões climáticas são ferramentas cada vez mais importantes para o planejamento das lavouras. Um estudo desenvolvido pela Rede Técnica Cooperativa demonstra que os impactos do fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) sobre a produtividade agrícola variam significativamente conforme a cultura e a região do Rio Grande do Sul, reforçando a necessidade de estratégias de manejo adaptadas à realidade de cada propriedade.

O trabalho analisou séries históricas de produtividade municipal de trigo, milho e soja, utilizando dados do IBGE e informações climáticas do índice RONI (Relative Oceanic Niño Index), indicador utilizado para caracterizar as fases de El Niño, La Niña e neutralidade. A metodologia permitiu separar o efeito das condições climáticas dos avanços tecnológicos ocorridos ao longo dos anos, identificando regiões com baixa, média e alta sensibilidade às oscilações do ENOS.

Trigo tende a ser mais prejudicado em anos de El Niño
Os resultados indicam que o trigo apresenta comportamento inverso ao observado para milho e soja. Em áreas classificadas como de alta responsividade, as perdas podem chegar a 50% durante eventos de El Niño forte, especialmente em municípios do Planalto e da região Sul do Estado. Em contrapartida, anos de La Niña favoreceram incrementos de produtividade entre 10% e 20% em parte dessas regiões.

Milho e soja respondem positivamente ao El Niño
Para o milho, o estudo identificou que anomalias positivas associadas ao El Niño tendem a favorecer a produtividade, enquanto episódios de La Niña aumentam o risco de perdas. Em regiões de média responsividade, os ganhos podem atingir 25% em anos de El Niño forte, enquanto perdas de até 20% podem ocorrer sob La Niña intensa.

Na soja, o comportamento é semelhante. As áreas de média e alta responsividade, concentradas principalmente na Fronteira Oeste, Planalto e região Central, apresentaram ganhos crescentes durante eventos de El Niño, podendo alcançar incrementos de até 35% na produtividade em anos de maior intensidade do fenômeno.

Planejamento passa a ser diferencial

Segundo os pesquisadores, conhecer como cada região responde às oscilações climáticas permite decisões mais assertivas sobre manejo, escolha de culturas, planejamento da safra e contratação de seguro agrícola.
O boletim conclui que, embora os prognósticos climáticos sejam ferramentas importantes para orientar os sistemas de produção, seus efeitos não são uniformes. Enquanto o trigo tende a ser favorecido pela La Niña e prejudicado pelo El Niño, milho e soja apresentam comportamento oposto, com respostas que variam conforme a localização das áreas produtoras.

Fontes do estudo: Boletim Técnico nº 154 – Responsividade Regional da Produtividade de Trigo, Milho e Soja ao Fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) no Estado do Rio Grande do Sul, desenvolvido por Gabriel Hintz, pesquisador da CCGL em Ciência de Dados, e Gilberto R. Cunha, pesquisador da Embrapa em Agrometeorologia.

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