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Notícias

12 de março de 2026

Cotrisoja acompanha debates estratégicos no 1º Fórum de Seguros da CCSA durante a Expodireto

A Cotrisoja esteve presente na primeira edição do Fórum de Seguros promovido pela Cooperativa Central de Serviços Agropecuários (CCSA), realizado na terça-feira (10/03), no auditório central da Expodireto Cotrijal. O encontro reuniu lideranças do cooperativismo, especialistas e representantes do mercado segurador para discutir os desafios do seguro agrícola no Brasil e caminhos para ampliar a proteção ao produtor rural.

A participação da Cotrisoja reforça o compromisso da cooperativa em acompanhar debates estratégicos que impactam diretamente a gestão de risco no campo e a segurança da produção agropecuária. O fórum teve como pauta central as dificuldades enfrentadas pelo setor e os benefícios potenciais da criação de um fundo catastrófico nacional para o seguro agrícola.

Na abertura do evento, o presidente da Cotrijal e da própria CCSA, Nei César Manica, destacou que um modelo estruturado de fundo poderia contribuir para ampliar o acesso dos produtores ao seguro rural.
“Se nós tivéssemos um fundo de seguro consistente, onde todos pagassem uma parte, com certeza o produtor poderia fazer uma apólice mais barata, ter uma cobertura maior e um risco menor com a seguradora. A gente sabe que quanto mais alto o risco, maior o custo. Então, esse debate é de suma importância”, afirmou.

A CCSA reúne atualmente 22 cooperativas, somando cerca de 210 mil associados e abrangendo aproximadamente 3 milhões de hectares nas culturas de verão e mais de 1 milhão de hectares nas culturas de inverno. Segundo Manica, esse universo representa um grande potencial para o fortalecimento do seguro agrícola dentro do sistema cooperativo. “São quatro milhões de hectares em que poderíamos trabalhar com o seguro agrícola. Temos um levantamento apontando que nossos produtores têm 130 mil colheitadeiras e a grande maioria não possui seguro”, ressaltou.

O vice-presidente da Cotrisoja e também vice-presidente da CCSA, Adriano Borghetti,  destacou a relevância do tema para o futuro do agronegócio e para a estabilidade da atividade produtiva. Segundo ele, ampliar o acesso ao seguro agrícola é uma necessidade crescente diante da maior variabilidade climática e dos riscos que impactam a produção. “O produtor rural convive com muitos fatores que fogem ao seu controle, principalmente o clima. Por isso, fortalecer instrumentos de proteção, como o seguro agrícola, é fundamental para garantir mais segurança à produção e previsibilidade ao setor”, ressaltou.

Dados e tecnologia na gestão do risco

Na sequência da programação, o gerente de pesquisa da Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL) e da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Geomar Corassa, apresentou a palestra “Diferenciais tecnológicos do sistema cooperativo em prol do agro gaúcho”.

Durante sua exposição, Corassa destacou que a produtividade agrícola no Rio Grande do Sul depende de diversos fatores, sendo aproximadamente 50% influenciada pelo clima, 23% pelo solo, 13% pela planta e 14% pelo manejo. O especialista também apresentou dados sobre as mudanças no regime climático no estado. “Os dados mostram que nos últimos 45 anos, entre 1980 e 2025, nós perdemos ao ano, em média, 32 dias chuvosos. Mas isso não significa que está chovendo menos. O estudo mostra que há uma maior variabilidade climática, com períodos mais longos sem chuva e eventos de precipitação de maior intensidade. Precisamos nos adaptar a esse cenário”, explicou.

Corassa reforçou ainda que a agricultura exige planejamento e gestão baseada em informações técnicas. Segundo ele, a valorização dos dados gerados nas propriedades é fundamental para compreender o comportamento das lavouras e apoiar decisões mais assertivas.

Cenários e perspectivas para o seguro agrícola

O fórum foi encerrado com o painel “Cenários e Perspectivas do Seguro Agrícola”, que reuniu representantes do mercado segurador e especialistas do setor. Participaram do debate o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e head de agronegócio da Swiss Re Corporate Solutions, Glaucio Toyama; a superintendente de relações com o Poder Legislativo da Diretoria de Relações Institucionais da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Marianah Villela; o head de agro da ESSOR Seguros, Raul González; o diretor de novos negócios da IRB(Re), João Pinto Rabelo Júnior; e o vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Daniel Nascimento.

Durante o painel, os especialistas discutiram a necessidade de desenvolver produtos de seguro mais adequados à realidade do produtor rural, além de analisar modelos de subvenção adotados em países como Estados Unidos, Índia, China, México e Espanha, bem como experiências em estados brasileiros como Paraná e São Paulo.

Outro ponto destacado foi a importância da criação de um fundo catastrófico nacional, que poderia trazer maior previsibilidade ao mercado e contribuir para reduzir o custo das apólices, ampliando o acesso dos produtores ao seguro agrícola.

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