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12 de agosto de 2026
Até 36 sacos/ha de diferença: o peso da escolha da cultivar
A escolha da cultivar é uma das decisões que mais pode influenciar o resultado da lavoura de soja. É o que demonstra um Boletim Técnico da CCGL Pesquisa e Tecnologia, desenvolvido pelo pesquisador da RTC/CCGL Tiago Hörbe, com base em experimentos durante a safra 2025/2026, no campo experimental da instituição, em Cruz Alta.
O estudo avaliou o desempenho de 23 cultivares de soja em cinco diferentes épocas de semeadura, trazendo informações importantes para o planejamento da próxima safra. O trabalho parte de uma constatação relevante: a diferença entre a melhor e a pior cultivar pode chegar a 30 sacos por hectare em ensaios de validação. Na safra avaliada, a escolha da cultivar respondeu por 55% da variação na produtividade, enquanto a interação entre cultivar e época de semeadura representou 36%. Já a influência isolada da época de semeadura ficou abaixo de 10%.
Cinco épocas de semeadura e 23 cultivares avaliadas
O experimento foi conduzido em blocos ao acaso, com três repetições, considerando 23 cultivares com grupos de maturação entre 5.0 e 6.6. As avaliações ocorreram em cinco datas de semeadura: 9 e 24 de outubro, 5 e 25 de novembro e 13 de dezembro.
Os resultados apresentados mostram diferenças expressivas de desempenho entre as cultivares conforme a época escolhida. A produtividade da melhor para a pior cultivar variou de 20 a 36 sacos por hectare, dependendo da data de semeadura. Ao mesmo tempo, as produtividades médias das cultivares nas cinco épocas foram de 70, 71, 71, 72 e 74 sacos por hectare, respectivamente.
Na prática, o estudo aponta para uma janela ampla de semeadura, de 8 de outubro a 13 de dezembro, com possibilidade de manter bom desempenho produtivo. Porém, essa flexibilidade está diretamente relacionada ao posicionamento correto das cultivares para cada período.
Interação entre cultivar, época e clima
Outro ponto de destaque está na influência das condições climáticas sobre os resultados. Conforme o estudo, os bons volumes de chuva registrados em dezembro e fevereiro contribuíram para a regularidade produtiva das diferentes épocas. Por outro lado, dois períodos de restrição hídrica, em novembro e janeiro, limitaram o potencial produtivo da semeadura de outubro.
O comportamento das cultivares também apresentou diferenças conforme o período de implantação. De maneira geral, cultivares com grupo de maturação superior a 5.9 tiveram melhor desempenho diante dos períodos de restrição hídrica, com destaque para Don Mario 59ix61 e TMG Pitangueira. Já em semeaduras mais tardias, realizadas em 25 de novembro e 13 de dezembro, cultivares com grupo de maturação inferior a 5.8 também estiveram entre as mais produtivas.
Informação técnica para apoiar decisões no campo
Estudos como este reforçam a importância de transformar pesquisa em informação para a tomada de decisão no campo. O posicionamento de cultivares não deve considerar apenas o potencial produtivo individual, mas também a interação com a época de semeadura e as condições do ambiente produtivo.
O estudo da CCGL consolida uma oportunidade técnica importante para o planejamento da soja no Rio Grande do Sul: existe uma ampla janela de semeadura, mas o melhor aproveitamento desse período depende da escolha assertiva das cultivares para cada situação. Essa estratégia pode contribuir para reduzir a exposição aos riscos climáticos e buscar maior estabilidade de produtividade.
Boletim disponível no Smartcoop
O Boletim Técnico está disponível no Smartcoop, permitindo que os produtores tenham acesso ao estudo completo e aos resultados apresentados pela pesquisa. Para conhecer mais sobre os resultados e entender como essas informações podem contribuir para o planejamento da próxima safra, os produtores podem procurar a equipe técnica da Cotrisoja.
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