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30 de julho de 2026

Manejo correto das doenças do trigo é decisivo para proteger a produtividade da lavoura

Com o desenvolvimento das lavouras de trigo, o monitoramento fitossanitário torna-se uma das principais ferramentas para preservar o potencial produtivo da cultura. A identificação precoce das doenças e a adoção de um manejo integrado permitem reduzir perdas, proteger a qualidade dos grãos e aumentar a eficiência dos investimentos realizados pelo produtor.

Segundo o coordenador técnico da Cotrisoja, Jonathan Carlos Hübner, cada safra apresenta condições climáticas diferentes, tornando indispensável o acompanhamento frequente das áreas para que as decisões sejam tomadas no momento correto. "Não existe uma solução única para todas as propriedades. O manejo precisa considerar o histórico da área, a cultivar utilizada, as condições climáticas e o nível de pressão de doenças. O monitoramento constante é o que permite agir no momento certo e preservar o potencial produtivo da lavoura."

Entre as principais doenças que merecem atenção estão o oídio, a mancha-amarela, a giberela e a brusone, cada uma com características específicas e diferentes impactos sobre a produtividade.

Oídio
O oídio é provocado pelo fungo Blumeria graminis f. sp. tritici e caracteriza-se pela formação de uma camada esbranquiçada sobre as folhas, reduzindo a capacidade fotossintética das plantas.
Seu desenvolvimento é favorecido por temperaturas amenas e elevada umidade relativa do ar, especialmente em períodos com pouca ocorrência de chuvas. Em infestações severas, a doença reduz o número e o tamanho das espigas, refletindo diretamente na produtividade.

Mancha-amarela
A mancha amarela do trigo é uma doença foliar causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis. Os principais sintomas são manchas ovais ou alongadas de coloração marrom, cercadas por um halo amarelo característico. A doença é favorecida por alta umidade, temperaturas amenas e pela presença de restos culturais infectados, sendo mais comum em áreas com cultivo contínuo de trigo.

Essa doença reduz a área foliar responsável pela fotossíntese, comprometendo o enchimento dos grãos e podendo causar perdas significativas na produtividade. O manejo envolve a rotação de culturas, o uso de cultivares resistentes, o tratamento de sementes, o monitoramento da lavoura e a aplicação de fungicidas quando necessário.

Giberela
Entre as doenças que mais preocupam o produtor está a giberela, causada pelo fungo Fusarium graminearum. Além das perdas produtivas, ela compromete a qualidade dos grãos, podendo resultar na presença de micotoxinas, fator que reduz seu valor comercial.

A incidência é favorecida por chuvas durante o florescimento e temperaturas entre 20°C e 25°C. Os sintomas incluem espigas parcialmente esbranquiçadas e grãos chochos, leves e enrugados.

Brusone
A brusone, causada pelo fungo Pyricularia grisea, é considerada uma das doenças mais agressivas do trigo. Ela pode atingir folhas, colmos e, principalmente, as espigas, comprometendo diretamente a formação e o enchimento dos grãos.

A doença encontra condições favoráveis em períodos de alta umidade, chuvas frequentes e temperaturas entre 24°C e 28°C. Quando ocorre durante o espigamento e o florescimento, pode causar perdas expressivas de rendimento e qualidade.

Planejamento faz a diferença

Hübner destaca que o controle eficiente das doenças começa muito antes da aplicação de fungicidas. "O produtor precisa pensar no manejo de forma integrada. A escolha de cultivares adaptadas, o tratamento de sementes, a rotação de culturas, o manejo da palhada, a adubação equilibrada e o monitoramento da lavoura são fatores que trabalham em conjunto para reduzir a pressão de doenças e aumentar a eficiência das aplicações” diz.

Ele reforça ainda que cada propriedade apresenta uma realidade diferente e, por isso, o acompanhamento técnico é fundamental para definir o momento e a estratégia mais adequada de manejo.

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